domingo, 18 de dezembro de 2011

O Mentiroso e o Amor

Você estava ali, deitado no colchão, numa pose completamente patética em meio ao seu sono pesado. A televisão exibia o filme O Mentiroso, enquanto nossos amigos riam e sequer notavam que você aos poucos começava a roncar. Sua boca estava aberta, soltando a respiração com um ruído que me lembrou, de alguma forma, alívio. Havia dias que você acumulava cansaço, dormindo durante tão pouco tempo. Eu segui dos seus lábios escancarados para o pescoço, e o peitoral tampado por aquele seu moletom da UFC. Reparei na sua bermuda e percorri a tatuagem da sua panturrilha mentalmente. Toquei seus braços, novamente reparando nas tatuagens, sentindo sua pele e a carícia dos seus pêlos finos contra os meus dedos. Você estava ali, logo ali no colchão, dormindo de forma tão patética que eu sentia um riso vibrando pela minha garganta, mesmo que eu não o soltasse. E parece tão absurdo que, logo naquele momento tão ridículo, eu tenha percebido que estava apaixonada por você.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Saindo do Choque

FILHO DA PUUUUUUUUUUUTA
DESGRAÇADO, ARGHTTTTTTT
EU TE ODEIO, EU TE ODEIO, MIL VEZES TE ODEIO
AINDA QUE NAO CONSIGA ODIAR NINGUEM
EU QUERO QUE VOCÊ SE EXPLODA

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Início de um celibato?

Encontrei segurança nos braços de alguém. Consigo tocá-lo e ser tocada; e todos os meus desejos impúdicos descontrolam pela descoberta de que consigo. Não é um amor, não é uma paixão; é um desejo carnal, uma vontade enlouquecedora de provar aquele meu amigo, morde-lo e beijá-lo e experimentar uma liberdade carnal que eu jamais consegui experimentar antes. Cheguei a chorar de alívio por finalmente não me sentir mal nesse tipo de situação. Entretanto, c'est la vie; não posso realizar nenhum dos meus desejos insanos. Não posso destruir nossa amizade por um egoísmo dos mais baixos e sujos, por causa de uma luxúria recém-descoberta. Senti raiva. Chorei pela injustiça de não sentir isso com qualquer outro cara. De não poder sentir por qualquer um, como todas as garotas normais. E a sensação de normalidade que ele havia me passado logo foi-se embora, e largou-me no peso de reminiscências amargas. Estou me sentindo sufocando, deteriorando. Não aguento mais encarar a realidade. Cada hora passa esbofeteando-me, rasgando-me e cuspindo na minha cara todas as verdades que eu não queria encarar. E a cada minuto de sobriedade, eu flagro-me ainda mais auto-destrutiva. Quiçá suicida. E ainda dizem que só o amor provoca essas coisas. Quem dera fosse.

domingo, 25 de setembro de 2011

Vou levando.

Eu preciso de um pouco mais de tempo. Preciso ser abraçada, preciso recuperar-me deste estupor até mesmo se for para chorar. Perdi a conta de há quanto tempo não choro, de há quanto tempo meu sorriso, meu riso... saem me rasgando por dentro. Não aguento mais ter que manter um semblante feliz para todos. Entretanto, não consigo ficar sozinha; eu, pois, vou levando assim, mentindo para todos, e me machucando inteira.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Meu lugar de fantasias.

Eu ainda não sei onde quero chegar com todas as minhas reflexões. Nada do que eu pensar vai mudar a realidade. Talvez, no fundo, eu só quisesse entende-la, para ver que a culpa de tudo não foi minha e que só foram erros de alguém debilitado. Fantasias novas que estou construindo, para tentar ser feliz, ao menos um pouquinho. São ilusões vãs. Ainda estou parada no mesmo lugar. No meu lugar de fantasias.


quinta-feira, 28 de julho de 2011

Vontades Piegas

Uma serenata na janela, um beijo na chuva, rosas em datas comuns, uma carta e um poema de amor, uma aliança, uma segurança total, um segredo, cumplicidade... São minhas frustradas vontades piegas. Hoje em dia as pessoas não são mais românticas, não sabem desfrutar verdadeiramente de um relacionamento, em todas as suas etapas. Vivemos o instantaneo amasso público e divisão de pagamento num encontro. As pessoas não querem conquistar umas as outras mais do que durante alguns momentos, não pensam adiante. O problema é que nós, mulheres, tambem nao cobramos que os homens nos tratem da forma que queremos que eles tratem. E, se cobramos, somos dadas como melosas e sufocantes. Eu nasci no século errado.

sábado, 23 de julho de 2011

Cenas Perdidas

Em tudo na vida sempre há aquelas coisas que você espera. As expectativas geralmente são ínfimas, pedacinhos minúsculos que são capazes de gerar feridas imensas se forem frustrados. É aquele ursinho de pelúcia que a menina queria ganhar, quando ganhou uma boneca; é uma espera prolongada por um passeio com o pai, quando nota que ele não virá; são dias chuvosos na praia. Você sempre mantém aquele desejo de que as coisas sejam como você quer que elas sejam, mas elas não são. E, por mais que você saiba que pode se frustrar, é imprescindível criar expectativa.
E as expectativas, para mim, são um pouco mais profundas. Tenho a necessidade de sentimentos fortes, de situações intensas, do conflito entre opostos numa dependência mútua... Eu não consigo lidar com meio-termos. Não consigo separar trechos da vida, pedaços de sentimentos. Por isso, as expectativas estão sempre reunidas, e, sendo tão pequeninas, juntas formam um grande emaranhado de desejos e anseios, que dilacera grande parte de mim quando é frustrado.
Não consigo esquecer o que eu quis e não pude ter, não consigo deletar minhas frustrações; elas rondam minha mente desordenadamente, acumulando-se em novas expectativas que, se não forem atendidas, duplicam-se e corroem-me ainda mais. É um ciclo que raramente finda, dificilmente consigo ter a intensidade que eu preciso ter nas situações. Só vejo pessoas meio-termo, convivo com a simplicidade que não é complexa. Essa desilusão reflete em cenas perdidas, jamais realizadas, que perpassam minha cabeça inúmeras vezes, levando-me a uma angústia constante. Minhas utopias malucas aumentam gradativamente, e não há como impedir. Alimento ilusões, sonho ilusões, almoço ilusões. Até me banho na companhia de cenas inventadas pela minha mente fértil. Cenas estas que eu espero se tornarem realidade, quando, na verdade, elas não vão.
O engraçado é que não podemos ficar sem essas expectativas, sem essas cenas perdidas. A vida seria monótona, sem cor. Não há como não desejar algo, é impossível não imaginar o almejado. O que me faz concluir que o ser humano é masoquista por natureza, em especial, eu sou.

P.S.: Se ao menos pudéssemos forçar situações a acontecerem! Eu estaria feita.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Um Novo Adeus

Estava relendo o blog, e notei que um texto que escrevi seria bem aplicado na situação atual, com algumas pequenas modificações. E, portanto, reposto-o, devidamente rearrumado.


Fartei-me. Já não te amava mais, jamais o tinha feito. Apenas era aprazível senti-lo como meu, e essa possessividade beirava a sentimentos utópicos e, como recém-descobri, platônicos. Ademais, tua amizade não mais prosperava, apenas rasgava-me cada dia mais - propositalmente, o que torna a situação pior. Legou-me alguns aprendizados, algumas feridas e um pouco de nojo; ainda, tenho as boas lembranças, de como você era. Apaguei suas mensagens no meu celular, mas ainda as recordo. E tenho a reminescência longínqua e doída de como era te amar. Basta-me. Agora, enfim, posso dizer adeus, sem rancor, sem amor. Um dia, sei bem, encontraremos novamente; não verei a mesma pessoa em você, como você não verá a mesma pessoa em mim. Curaremos as nossas feridas separadamente, e cultivaremos as cicatrizes até esse dia chegar. Seremos estranhos familiares. E isso pode nos unir novamente, ou destruir completamente o resquício do nosso elo. Por enquanto, apenas despeço-me.


P.S.: Se eu falar isso várias vezes, será que se tornará verdade?

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Sozinha novamente

Falta-me um pedaço. Eu sequer vi ele sumir, foi tão brusco!, na hora nem senti. Apenas sabia que ele havia sumido, e que não ia voltar. Não o quero de volta, mas querer não querê-lo dói tanto quanto não tê-lo mais. Aquele pedacinho de mim... se acomodou em outra pessoa. E foi para tão longe, jamais o verei novamente.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Comentário Avulso

É uma dor cinza como minha cor preferida. Ela perfura e arde, corre em aspirais de espinhos pelas minhas veias. Eu jamais poderia descrevê-la melhor do que isso; é algo sem letras, sem atelografias em geral. Não é gestual, não é sólida. É apenas uma fútil metáfora; uma comparação sem sentido, algo sem igual e sem desigual. Já sentiu? Aquele gosto amargo na boca, que te faz salivar quente e seus olhos arderem? É disso que falo. Do que exteriormente pode-se ver, das reações do que sinto. Nunca jamais conseguiríamos descrever por exato essa dor, nem nenhuma outra sensação; já tentou descrever algo imaterial, incolor, inodoro... ?

sábado, 29 de janeiro de 2011

Uma Reflexão

Essa semana senti-me ignorante; daquelas pessoas que de pouca coisa entendem, incultas ao ponto de responder "não, não conheço" a diversas perguntas. De fato, pouco conheço, e do pouco que conheço, conheço pouco. Eis algo que ronda a minha cabeça! E o engraçado é que parece até uma nostalgia agradável quando conecto quem provocou-me a sensação agora com as reminiscências de quem me provocou da primeira vez. Ambos aquarianos, ah, signo prepotente! Por quê essa imagem de maior conhecimento perturba-me tanto? Sinceramente não sei se é bom, ou se é ruim; é apenas algo que me transtorna. Uma certeza inabalável de que o que está te mostrando é realmente da maior qualidade possível, e as críticas tão bem estruturadas e com o ar de inquestionáveis. Eu sinceramente senti-me minúscula, despida, completamente ignorante, como um animalzinho acuado que pouco entende inclusive do que estão lhe dizendo! Estive tão vulnerável que meu físico já tão frágil parece ainda mais frágil, delicado, quebrável, do que nunca! Constrangida com pouco, até mesmo com assuntos que perspassaram tanto meus lábios. Adaptei-me a ouvir mais, falar menos; e olha que eu já o fazia, agora então! Pareço uma criança muda e dócil de séculos atrás, ouvindo pacientemente os ensinamentos de sua avó. O irônio disso tudo é que me é aprazível, inquestionavelmente aprazível, ouvir coisas que eu não tinha conhecimento antes. Diversas coisas que me deixam excentricamente maravilhada - e olha que de excêntrica tenho muito já; acrescente em minha lista.
E... Ah! O sono não me permite concluir algo disso. Deixo isso aqui, largado, e amanhã, quem sabe, eu finalizo o post.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Uma Pausa

Não sei. Tenho sentido um acúmulo tão grande de contradições e reflexões inacabadas... que não consigo mais escrever. Eu senti isso ano passado, pouco antes da minha última postagem, em julho, creio - não tenho paciência para verificar agora, que estou tão entretida com essas palavras esfarrapadas e uma composição de Yann Tiersen no real player. Bom, apenas sei que essa desmotivação constante que se apodera de mim e o excesso de pensamentos que circulam desordenadamente na minha cabeça, não me permitem expressar tudo que eu gostaria de colocar aqui. Eu gostaria de criticar um pouco sobre TV, política, música, e tudo mais; não consigo. E ainda mais agora, que eu vi - há alguns dias atrás, para ser franca - que tenho uma seguidora. Pensei que ninguém lesse isso, apenas eu mesma e... bom, eu mesma. Não faço questão de ter uma leitora - sem ofensas -, mas acho indelicado da minha parte largar o blog por tempo indeterminado, por pura falta de inspiração. Entretanto, eis a vida; hora estamos brilhando como o mais forte raio de sol, hora estamos pior que um esqueleto estúpido de três mil anos atrás. Não que os esqueletos não sejam importantes, perdão. Apenas levando metáforas para fora da mente - ufa, menos algo para circular nesse emaranhado de bosta.

Não estou dizendo que vou abandonar o Tirocinium ! Não ! Eu pretendo me esforçar para postar sempre que eu conseguir. Talvez não sejam críticas, talvez sejam desabafos, talvez seja algo que vi na internet e achei interessante. Só não sei quando estarei disposta a fazê-lo. Amanha? Depois de amanhã? Daqui a cinco meses? Bom, é desimportante. Só achei que deveria ser mais educada e deixar um aviso dessa vez.


Le Fou.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Um agradecimento, talvez.

Aos meus amigos atuais. E aos que já foram bem próximos, mas agora distanciaram: permanecem comigo, mais do que imaginam.

Não sou suficiente para curar suas feridas, jamais serei; se eu soubesse como curar o que fazem conosco, eu já teria me curado. Desculpem-me, meus amigos, desculpem. Eu não sou dona da verdade, e muitas vezes minhas especulações são certas, mas são apenas especulações. Aprazível vê-los sorrir, mas aperta meu coração quando os vejo chorar; posso limpar as lágrimas, mas não consigo limpar o sangue de seus corações. Apenas consigo sentir, bem pouco, um pequeníssimo reflexo da dor que vocês sentem, e tentar, dentre especulações e uma boa intenção, aconselhá-los e fazê-los sorrir novamente. E, também, desculpo-me por outra razão. Não sou suficiente para sorrir com vocês, jamais serei; meu corpo pesa tanto que meu sorriso já está quebrado. Eu queria poder acompanhar seus momentos de alegria, mas tudo que posso fazer é ouvir vocês contarem-nos, tudo que posso fazer é presenciá-los. Entretanto, sorrio quebrado, irradiando alegria pelos meus olhos, que acompanham seus tropeços e acertos. E, por último, desculpo-me pelos intermináveis momentos em que não sou forte o suficiente e acabo desabando com meus problemas, deitada no colo de algum de vocês, molhando suas roupas com lágrimas que eu não queria escorrer. Meus amigos, eu vos amo. E com dezesseis anos de idade, dizer que amo pode ser ridicularizado, passado por superficial ou ilusão - mas garanto! Tudo é amor, inclusive o ódio, inclusive a indiferença. Para amor, não há contrário; há apenas a mudança, e a intensidade. A tudo se ama, até que se tenha impressão e dela o pré-conceito, que muda o amor para alguma intensidade. Com o conhecimento, altera novamente a intensidade. E mais e mais transforma-se a intensidade, e dela, transforma-se o amor. E com essa certeza - que decerto pode parecer insana - eu afirmo abertamente: eu amo vocês, meus amigos. E eu não sei o que seria de mim sem vocês (talvez a sociologia explique melhor essa parte do que minha vã filosofia, rs)


P.S.: Gabriel, João, Scott, Maca, Kammila, Camila, Dee, Luy. E, principalmente, minha mãe.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Um Adeus

Fartei-me. Já não te amava mais; amava a outro, o cujo ainda amo. Ademais, tua amizade já não mais prosperava, apenas rasgava-me cada dia mais - propositalmente, o que torna a situação pior. Legou-me alguns aprendizados, algumas feridas e um pouco de nojo; ainda, tenho as boas lembranças, de como você era. Tenho suas mensagens salvas no meu celular. E tenho a reminiscência longínqua de como era te amar. Basta-me. Agora, enfim, posso dizer um adeus, sem rancor, sem amor. Um dia, sei bem, encontraremos novamente; não verei a mesma pessoa em você, como você não verá a mesma pessoa em mim. Seremos estranhos familiares. E isso pode nos unir novamente, ou destruir completamente o resquício do nosso elo. Por enquanto, apenas despeço-me.


A sensação é tão boa e leve, que sinto que posso amar quem amo, sem peso na consciencia, sem divisão de preocupações e medos. Porque, afinal, amar não é algo inteiramente positivo, mas devemos saber equilibrar. Sinto-me equilibrada.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Utopias Versadas

Desta vez, novamente, estou escrevendo algo que é uma crítica pessoal. Não sei exatamente se a crítica volta-se a uma determinada pessoa, ou se a mim mesma; acho que ambos. Preciso apenas escrever e ver se alivio um pouco do que estou sentindo.

Olá. Vejo-me na mesmíssima e fodida situação de sempre. O tolo clichê do romance platônico - ainda que o platonismo não seja apenas um amor não correspondido, mas um que, de certa forma, está satisfeito em apenas amar a pessoa, sem falar nada, sem almejar nada dela... entretanto, no popular, essa é a palavra ideal, já que designa um sentimento sem retorno. Bem, prossigamos. O que sinto não é recíproco, e tenho medo de amar alguém que planeja me usar. Eu não quero isso; não quero me machucar novamente - sim, tenho um longo histórico que até hoje arde. E venhamos e convenhamos: o que arde é pior do que o que perfura. Vemos isso logo quando um hospital dá prioridade a uma queimadura, quando há uma vítima de incêndio e uma que levou um tiro.

I wish I was your... favorite girl
I wish my smile was your favorite kind of smile

Logo que concluo que não quero ferir-me mais, contradigo-me! Tenho necessidade dele. Quero-o comigo, mas ainda assim, quero que ele seja feliz, mesmo que não seja comigo. E além do mais, só o medo de me ferir, já me fere. A reflexão em si dá-me um nó na garganta e revira minhas entranhas. Talvez a solução seja não pensar. Deixar esse post esquecido no blog e jamais lê-lo após escrito. Sequer revisá-lo, apenas largá-lo aqui, e, com ele, largar meus pensamentos.

Pois, sabe? Por mais que eu despreze mais coisas em mim do que posso contar, ainda me amo. E não vou permitir nem que você faça algo negativo comigo. E é essa certeza, essa força que reverbera pelo meu corpo e forma um sorriso no canto dos meus lábios, essa exata força fraca e trêmula, mas potente, que me faz mentir a mim mesma: eu não te amo.

Cause you know its over
Before it began


P.S.: Scott é um docinho de côco.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Ovelha Negra

Vocês decerto já ouviram tal expressão, sabem que costuma designar alguém que se difere dos demais integrantes de determinado grupo. De onde vem? Bom, segundo nossa querida e clichê wikipédia, é do fato das ovelhas geralmente serem brancas e claras, e numa alteração genética nasce uma negra, considerada completamente diferente das demais. Vocês já imaginam agora a razão da expressão popular.

Por que abordar o tema hoje, quando abandonei o blog há tanto tempo?

Vou contar o que fiz hoje, talvez seja um pouco esclarecedor para alguns: Onze da manhã, minha mãe me acorda, me traz meus remédios, eu os tomo. Então eu almoço, volto a deitar na cama. Durmo novamente, até as 18h24 e levanto, indo ao armário e abrindo uma parte que sempre está vazia, exceto por um objeto excêntrico e laranja, peludo. É uma bolsinha que só carrega celular - minha irmã me deu quando fiz doze anos, fazendo um acordo comigo de que eu devolveria a ela quando ela fizesse doze anos. Hoje? Dez de janeiro, aniversário dela. Os ditos doze anos. Eu passo a mão no objeto, e volto a fechá-lo dentro do armário, levando em conta que eu não posso devolver hoje; não moro com minha irmã, e raramente a vejo. Resolvo entrar no orkut, deixo um recado de parabéns a ela - o tão vazio parabéns que eu sempre critico, entretanto, na condição do nosso relacionamento, vale mil e quinhentas vezes mais do que o parabéns que a própria mãe dela deve ter dito. Depois, vejo que minha tia paterna me adicionou no orkut, e a aceito, indo ao album dela ver fotos. Surpresa! Vários eventos familiares dos quais eu sequer soube; é aí que vem a dita expressão: ovelha negra.

Deveria dizer que sou a ovelha branca daquele lado da família, no entanto, prefiro dizer que sou ovelha negra - a diferente, a com alteração genética. Fica deveras poético um acréscimo de que preto denota ausência, e realmente sou a parte ausente; ninguém ali faz a mínima questão de me chamar para as reuniões e festinhas. Vale soltar um apelo aos leitores: não permitam que haja uma ovelha negra no teu grupo.

Uma nota deslocada: onde está meu pai nas fotos?

Levo-me à outra questão! Há alguns tipos de ovelhas negras. O primeiro limita-se aos que são bem diferentes do grupo; o segundo, aos que são excluídos do grupo; o terceiro, aos que fazem questão de se excluírem do grupo. Cuidado, caros leitores pateticamente inexistentes: o terceiro tipo é altamente perigoso para sua sociabilidade, e potencialmente detonante ao seu caráter. Entendam como quiser.