sábado, 23 de julho de 2011

Cenas Perdidas

Em tudo na vida sempre há aquelas coisas que você espera. As expectativas geralmente são ínfimas, pedacinhos minúsculos que são capazes de gerar feridas imensas se forem frustrados. É aquele ursinho de pelúcia que a menina queria ganhar, quando ganhou uma boneca; é uma espera prolongada por um passeio com o pai, quando nota que ele não virá; são dias chuvosos na praia. Você sempre mantém aquele desejo de que as coisas sejam como você quer que elas sejam, mas elas não são. E, por mais que você saiba que pode se frustrar, é imprescindível criar expectativa.
E as expectativas, para mim, são um pouco mais profundas. Tenho a necessidade de sentimentos fortes, de situações intensas, do conflito entre opostos numa dependência mútua... Eu não consigo lidar com meio-termos. Não consigo separar trechos da vida, pedaços de sentimentos. Por isso, as expectativas estão sempre reunidas, e, sendo tão pequeninas, juntas formam um grande emaranhado de desejos e anseios, que dilacera grande parte de mim quando é frustrado.
Não consigo esquecer o que eu quis e não pude ter, não consigo deletar minhas frustrações; elas rondam minha mente desordenadamente, acumulando-se em novas expectativas que, se não forem atendidas, duplicam-se e corroem-me ainda mais. É um ciclo que raramente finda, dificilmente consigo ter a intensidade que eu preciso ter nas situações. Só vejo pessoas meio-termo, convivo com a simplicidade que não é complexa. Essa desilusão reflete em cenas perdidas, jamais realizadas, que perpassam minha cabeça inúmeras vezes, levando-me a uma angústia constante. Minhas utopias malucas aumentam gradativamente, e não há como impedir. Alimento ilusões, sonho ilusões, almoço ilusões. Até me banho na companhia de cenas inventadas pela minha mente fértil. Cenas estas que eu espero se tornarem realidade, quando, na verdade, elas não vão.
O engraçado é que não podemos ficar sem essas expectativas, sem essas cenas perdidas. A vida seria monótona, sem cor. Não há como não desejar algo, é impossível não imaginar o almejado. O que me faz concluir que o ser humano é masoquista por natureza, em especial, eu sou.

P.S.: Se ao menos pudéssemos forçar situações a acontecerem! Eu estaria feita.

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