quarta-feira, 7 de julho de 2010

Escolas



Se há um tema deveras incomodativo.. é esse. Há por demais o que dizer, criticar e, especialmente, repulsar. Não me entendam mal; se vissem meu histórico escolar, notariam que por anos fui a primeira aluna da sala, que levava ao extremo o estudo, amava aprender. Portanto, não estou aqui para dizer que colégios não são necessários, que os professores são incompetentes ou quaisquer reclamações frívolas comuns de adolescentes. Separarei em partes o que tenho a discursar sobre o assunto, ainda que seja apenas um texto aqui.

Inicialmente, gostaria de ressaltar os métodos de ensino. Não me perderei em um monólogo sobre a época em que as garotas aprendiam a costurar e tornarem-se boas esposas, pois o meu objetivo é além da guerrinha dos sexos. Lembrem-se da época em que o estudo era decorado, onde os professores ditavam as matérias como verdades incontestáveis e, nas provas, era necessário citar como um gravador tudo o que era passado e, inclusive, além do que era passado. Uma época bem rígida, não é? Pois foi quando eu vi o filme A Sociedade dos Poetas Mortos que eu notei um erro na atualidade. Quem já viu esse filme já deve ter entendido aonde quero chegar; havia um personagem que era professor... Ele revolucionou o ensino, colocando prática, ensinando a questionar, a compreender e não apenas decorar. Sim, palmas para o cara! Ele fez correto. Porém...

Observem como está a metodologia atual. Os docentes explicam a matéria, não nos fazem decorar o que não é essencial, tentam nos fazer pensar, mas.. há quantos "entretanto"s nisso! Hey, espere, não estou dizendo que a ditadura de antigamente deveria ser reimposta, pelo contrário. Quero chamar atenção para o fato de que cada aluno tem sua forma de aprender. Hoje em dia, tudo gira em torno da sua capacidade de assimilar duas, três, cinquenta mil matérias numa mesma questão, de usar a lógica para descobrir a resposta certa, de chutar pelo mais provável ao invés de ter certeza. Isso é bom; desenvolver raciocínio é algo em que realmente as escolas devem ajudar os alunos. Entretanto, há pessoas que possuem dificuldade em usar isso em determinadas matérias, e que valorizariam mais, por exemplo, Português, se o docente ensinasse boa ortografia e gramática, além de exigir interpretações de textos. Porque, sinceramente, não há uma interpretação completamente correta de nenhum texto; um poema significa para alguém uma coisa completamente diferente do que significa para outro alguém. É o velho dito que a arte é aquilo que quem a contempla vê nela. Ademais, essa didática de utilizar a lógica torna os alunos preguiçosos quanto ao verdadeiro tirocínio. Vale mais aprender algo ou aprender a chutar algo de forma a acertar? O que os colégios não enxergam é que devem ensinar o discente a exercer o raciocínio, mas devem também ensiná-lo o que deve ser ensinado. Basta intercalar, usar também a lógica a favor dos seus pupilos. Por que não aprofundar um conteúdo, ensinando de forma divertida, dando os macetes, mas exigindo um pouco do velho "decoreba"? Pois assim, o decoreba deixaria de o ser, para tornar-se o verdadeiro aprendizado. Ensinando a lógica, os alunos pegariam a matéria que deve ser memorizada, e a compreenderiam. Porém, há um problema que impede que assim seja... e vamos ao segundo tema a ser discutido.

Um aluno que entra na faculdade esse ano pode ter aprendido algo que um que entrará ano que vem não aprendeu, e vice-versa. Sabem o motivo? Os colégios estão cortando determinados assuntos nas matérias, e as repondo, reforçando ou desleixando, de acordo com o vestibular - que, por acaso, agora é mais ENEM. Quantas vezes já ouvi algum professor meu dizendo: "aah, mas este assunto terá de ficar para depois, porque agora eu vi numa reunião que o vestibular está dando mais atenção a tal assunto.."

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Nada a declarar. Vocês já devem imaginar o que penso disso.

Bom, o terceiro tema que eu almejo discorrer sobre.. é a pressão. Sim, pressão. Há alguns colégios em BH, que não citarei nomes, onde há um alto índice de suicídio infantil. É, não parece aceitável que alguém mate-se por conta de estudo, entretanto... Visualisem uma cena, por favor:
Há um aluno. Seu nome é José das Quantas. Sua família está com problemas, seus amigos se afastaram porque ele tem precisado estudar, sua namorada o deixou, ele está de castigo sem computador, televisão, ou que raio seja que ele ame. Ficou de castigo porque precisa estudar mais, porque a família está estressada e, sem mesmo ver, desconta no menino. Ele mesmo quer um futuro, por isso ele sabe que precisa estudar, está preocupado com suas notas. Entretanto, ele começa a ficar tão pressionado pelos professores, pelos pais, pela supervisão do colégio que só sabe falar em como o vestibular está próximo (ainda que ele esteja na sexta série!), que ele cansa-se do estudo. Começa a não aguentar mais olhar o quadro, a não aguentar mais ouvir as explicações dos docentes, fazer suas lições, e tudo mais. Está pressionado, está exausto, mas continua lutando. Ainda que não aguente, ele faz tudo isso. Até que, uma hora, os problemas familiares pioram. Ele diminui o desempenho escolar. Os professores, ao invés de incentivarem e preocuparem-se com ele, criticam. A supervisão o chama para conversar sobre o que está havendo, mas ele não confia e não é íntimo dos supervisores para desabafar com eles. Ele está estressado, começa a burlar o castigo e procurar diversão. Os pais ficam bravos, a situação em casa piora. José começa a tentar desestressar-se em sala e é tomado como um irresponsável, e vira uma bola de neve, pois a pressão aumenta em cima dele, ao invés de suavizar. Deveriam apoiá-lo, ajudá-lo, mas nenhum funcionário do colégio está realmente preocupado com o menino; preocupam-se no lucro financeiro, na fama do instituto, em tudo. Preocupam-se com os alunos? Sim, se o colégio agrada um aluno, sua fama aumenta. Porém, não é uma preocupação verdadeira, e sim um egoísmo. Não tentam compreende-lo, ajudá-lo, e sim criticá-lo. Muitas críticas são construtivas, mas a maioria é maléfica. Depende do modo que você a fizer. Um professor diz a ele: "José, você nunca vai conseguir passar de ano". Quebram as esperanças do estudante.

Parece mais compreensível o índice de suicídio, não? Ainda que não seja justificável, pois o suicídio é uma covardia, uma fuga. Porém, essas coisas acontecem. Todos têm problemas, todos precisam de compreensão. Poderia ser você aí, que chegasse ao seu limite. Claro que uma pessoa dessas precisa de tratamento, de desabafos com os amigos, mas ela não chegaria ao extremo se as escolas tivessem estrutura para lidar com seus estudantes. E vai além, uma questão da família, mas neste texto estou deixando em evidência a escola.

A última questão a ser discutida.. é a valorização exacerbada do conhecimento dos acontecimentos da atualidade. Escola não é para isso, na minha opinião. Cada aluno possui interesse em determinado assunto, mas o colégio obriga todos a saberem sobre tudo que acontece. Um dia desses meu professor de redação mandou a turma discorrer sobre a copa do mundo.

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TOMAR NO CU

Ok, desabafei. Voltando ao ponto.. Há discentes que não se interessam por futebol. Não seria mais fácil se o professor exigisse uma redação sobre um assunto atual, à escolha do aluno? Deveria ter questionamentos, argumentos, e tudo o mais. Porém, seria algo muito mais bem feito, com bem mais empenho por parte do estudante. Não há necessidade de excluir a atualidade da escola, pois a escola em si já é parte da atualidade, mas não forçar o aluno a aprender sobre algo atual que não o interessa. Fulano pode amar política, e discorrer sobre as eleições, Ciclano pode amar futebol e falar sobre a copa, Beltrano pode amar notícias e falar sobre o caso mais recente de assassinato. É tudo uma questão de deixar o aluno livre, e ainda avaliar a redação pelo conteúdo, mas não se esquecer da ortografia e gramática (coisa que ultimamente não é tão valorizada nem pelas escolas!).

Enfim, esses são os fatos ditos pelo meu ponto de vista. Concorde ou não... Apenas tente entender o que eu disse, se você for capaz ;)


Le fou

terça-feira, 6 de julho de 2010

Aniversário



Inicialmente, compreendemos "aniversário" como a data em que uma pessoa acrescenta mais um ano à sua vida; um erro que comumente cometemos, já que aniversário não diz respeito apenas a quão mais velho você está ficando, mas há quantos anos algo ocorreu. É de fácil elucidação o restante: aniversário de casamento (quanto tempo passou-se desde a data do matrimônio), aniversário de namoro (quanto tempo passou-se desde o pedido oficial), aniversário de nascimento (quanto tempo passou-se desde a data do parto), aniversário de morte (quanto tempo passou-se desde o falecimento), etc. Talvez não esteja bastante claro, mas o que importa é que, para mim, dá para compreender o que este tipo de comemoração significa: nada.
Muitos ficam revoltados, indignados, assombrados com minha indiferença quanto a datas; fodam-se. O que os limitados não notam é a superficialidade de memorizar uma data - não o fazemos porque é importante, mas porque precisamos especificar quando deveremos expressar determinada emoção, determinado interesse. Elucido que, perante outrem que estejam festejando um ano a mais de vida ou parabenizando-me pelo meu crescimento, meu semblante é sincero; ainda que a data de nada valha-me, àqueles que se importam comigo ou são-me importantes, devo minha gratidão e meu afeto. Contenta-me ve-los com mais anos, regozija-me ve-los contentando-se em ver-me com mais anos. Entretanto, se fosse uma data apenas para exames, perícias médicas - em cujas devemos ter exatidão sobre há quanto tempo acontece algo -, estaria eu satisfeita em concordar com a data de aniversário; o que a corrompe são as próprias pessoas. Do que adianta reservar um dia para parabenizar alguém que completa mais um ano que vive, se nos demais dias não há demonstração do quanto este alguém é especial? Por que restringir a um só dia a comemoração de um namoro, de um casamento, quando podem comemorar sempre que quiserem a união? Vale realmente como uma homenagem, se você for prestigiar um ente falecido apenas em seu aniversário de morte?


"Comemore todos os dias"


É, clichê e estúpida frase de orkut, que tem um significado maior do que grande parte das pessoas consegue compreender. Aprazível berrar eufonias falsas; falam sem entender, sem cumprir e sem realmente terem vontade de o fazer. Atualmente, o quê você fala vale o quanto está na moda falá-lo. Ôh, caríssimo mentecapto, se você ainda acha que cumpre o que atesta em sites de relacionamento, procure um professor para elucidar-lhe o que a frase significa. Sua visão é limitada, você está com deficiência em interpretação e compreensão de textos - pois a interpretação por si só pode ser errônea.
Se um exemplo facilitar que você veja o que almejo, aí vai: obrigada, vovó, por me pagar um alisamento capilar de 300 reais, mas eu ficaria mais feliz se estivesse presenteando-me porque deseja agradar-me (quando estivesse com dinheiro para isso, o que de fato seria 'sempre') e não porque eu pedi na data em que devo ser presenteada.


E, obrigada a quem parabenizou meus dezesseis anos anteontem,
mas eu ainda acho que devem esquecer que nasci
dia cinco de julho.
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