domingo, 18 de dezembro de 2011

O Mentiroso e o Amor

Você estava ali, deitado no colchão, numa pose completamente patética em meio ao seu sono pesado. A televisão exibia o filme O Mentiroso, enquanto nossos amigos riam e sequer notavam que você aos poucos começava a roncar. Sua boca estava aberta, soltando a respiração com um ruído que me lembrou, de alguma forma, alívio. Havia dias que você acumulava cansaço, dormindo durante tão pouco tempo. Eu segui dos seus lábios escancarados para o pescoço, e o peitoral tampado por aquele seu moletom da UFC. Reparei na sua bermuda e percorri a tatuagem da sua panturrilha mentalmente. Toquei seus braços, novamente reparando nas tatuagens, sentindo sua pele e a carícia dos seus pêlos finos contra os meus dedos. Você estava ali, logo ali no colchão, dormindo de forma tão patética que eu sentia um riso vibrando pela minha garganta, mesmo que eu não o soltasse. E parece tão absurdo que, logo naquele momento tão ridículo, eu tenha percebido que estava apaixonada por você.

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