segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Plenitude e Egoísmo


O Ser Humano é um animal que tem inteligência, mas não consciência do quanto precisa da natureza. O Homem faz parte da natureza, afinal. Só percebemos o quanto ela faz falta quando entramos novamente em contato com ela. Fomos ao parque das mangabeiras com o intuito de discutirmos o nosso relacionamento, mas grande parte do tempo passamos apenas apreciando aquele cheiro de terra e ar fresco batendo no rosto e nos cabelos. Depois chegamos a conversar, no Papa, o que foi deveras produtivo; entretanto, só o fiz porque algumas coisas não devem ser deixadas para depois – e porque sou um bocado teimosa, admito. Para mim, aquele momento apenas nós dois, com seu sorriso cansado e olhos mais alegres, no meio daquele lugar tão bonito, era suficiente para me mostrar o quanto eu fazia questão de você na minha vida. Pareço até ranzinza de ter feito tanta questão daquela conversa, mesmo depois de ter passado um momento tão feliz ao seu lado, mas há certas dores que são necessárias, mesmo em meio a situações tão gostosas. Aquele fim de tarde tinha gostinho de algodão-doce e cheiro de chuva – mesmo que não tenha chovido. Alguns cheiros, alguns gostos, algumas sensações têm um sentimento especial para mim. Partilhá-los com você foi algo transcendental e talvez você jamais saiba, mas você naquele momento entrou num pedacinho do meu mundo. Você raramente entra no meu mundo, mas quando o faz, é uma emoção sublime. Havia ainda tantas coisas que eu queria ter te mostrado, tantas que eu queria ter feito com você, mas eu não precisava atropelar tudo e te entupir de informações novas e vivências esquisitas do meu mundo. Aquele momento bastou. Eu estava feliz, e fiquei ainda mais feliz porque nossa conversa – meu pequeno egoísmo – havia se saído bem. Nós estávamos bem. Podíamos melhorar, mas todos sempre podem melhorar, mas estávamos bem. Caminhando para algo imperfeito como o mundo, mas perfeito da forma que eu podia ver.

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