Eu
devia estar bem. Eu devia estar me sentindo leve, devia estar melhor do que
antes - e estou, mas não tanto quanto podia estar. Não apenas por você não ter
me provado sua mudança com relação ao último conflito - o que realmente é
impossível de imediato, já que há menos de 24h que nos restabelecemos -, mas por não ter visto atitude
quanto às coisas que desabafei quando discutimos domingo. Parece que regurgitei
em cima de você quase tudo que eu estava guardando na garganta, ainda que eu o
tivesse feito porque pensei que era a última chance que eu tinha para te contar
minhas angústias, mas nós estamos juntos novamente e você não fez nada para
mudar as coisas que eu tanto gritei e expeli das minhas entranhas em meio à mágoa. É um pouco difícil disfarçar que isso me
decepcionou - principalmente porque eu tinha outra visão de como você deveria
ter agido nessas quase 24h. É tão difícil que meu corpo parou de reagir a você,
deixando apenas meu coração reagir. Não quer dizer que a reação seja tão
negativa assim; eu respiro seu cheiro e sinto sua pele em contato com a minha e
tenho vontade de ficar deitada em seus braços num eterno abraço. Acabo
fantasiando com você me consolando das dores que você mesmo me provocou - um
consolo de apenas um abraço de horas, com carinho e sussurros que elevem minha
auto-estima tão constantemente danificada; um olhar de arrependimento tão forte
que conserte minha humilhação perante a tantos desrespeitos. Eu estou
simplesmente cansada, o que não quer dizer que eu tenha parado de te amar, ou
que esteja insatisfeita com o que você me oferece. Meu problema é que criei,
desde sempre em minha vida, tantas expectativas sobre tantas coisas, que agora
a falta de realização tem me bloqueado da felicidade plena. Eu estou feliz -
juro!, e veja bem que jurar é algo sério -, mas essas mínimas decepções, que
nem são culpa sua, mas minha e da minha patética mania piegas de idealizar
demais, acabam me deixando sempre presa na felicidade melancólica. Presa no 'e
se' e no 'será que é hoje', alternando entre a impaciência de uma garota
imediatista e a compreensão de uma mulher que consegue conter seu lado piegas.
É uma escada que estou subindo, e não posso nem devo culpar você por eu ainda
não ter conseguido pisar em alguns degraus. O processo de amadurecimento, assim
como o de aprendizagem, requer que eu caminhe sozinha e não culpe os outros por
não me segurarem quando eu começo a tropeçar. Afinal, se eu tropeço, é porque ainda
não tenho firmeza necessária para o tamanho daquela escada, e isso é algo que vem com o tempo, assim como a felicidade plena - e tenho certeza que ela virá também de você, algum dia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário